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Obstrução
Nasal X Deglutição Atípica:
Uma Visão Fonoaudiológica.
O processo de deglutição
define-se pelo ato de levar o alimento
da boca até o estômago, local
onde se inicia a digestão.
Discorreremos
a seguir sobre alguns aspectos envolvidos
na deglutição, bem como
possíveis alterações
neste processo e suas eventuais conseqüências
à saúde do indivíduo.
A
criança ao ser amamentada no peito,
exercita a musculatura oral, estimulando
o crescimento ósseo, além
de iniciar a coordenação
da sucção com as funções
de deglutição e respiração.
É com a erupção dos
primeiros dentes que a criança
mostra estar entrando na fase do início
da mastigação.
É
de conhecimento, que alguns hábitos
podem acarretar alterações
miofuncionais. Prolongar o tempo de alimentação
através da mamadeira, ou o uso
de chupeta, podem contribuir para isto,
agravando-se ainda mais nos casos em que
este uso for feito com um bico que não
seja o mais adequado, em termos de forma,
faixa etária e consistência
do alimento. Sucção do polegar,
roer de unhas, entre outros, também
podem acarretar alterações
de tônus e postura dos órgãos
fono-articulatórios (OFAs).
O
desenvolvimento destes hábitos
de sucção não-nutritiva
afetam a musculatura perioral e a conformação
óssea e dentária, a sucção
do polegar e a interposição
da língua, por exemplo, podem movimentar
os dentes, podendo alterar a arcada dentária.
Segundo pesquisadores, crianças
com hábitos deletérios apresentam
quatro vezes mais mordida cruzada posterior
e quatorze vezes mais mordida aberta anterior.
A
respiração exerce grande
influência no processo de mastigação
e deglutição.
Quando
esta acontece pela via nasal, propicia
o desenvolvimento normal dos tecidos moles
e duros, garantindo uma boa aparência
e saúde ao indivíduo, porém
existem alguns fatores que podem impedir
ou dificultar a respiração
nasal como as rinites vasomotoras ou alérgicas,
hipertrofia de adenóides, desvios
de septo nasal, acarretando uma respiração
oronasal ou oral dependendo do grau da
obstrução.
É
comum que pessoas que apresentam a respiração
predominantemente oral possuam postura
de lábios e língua inadequada,
com tônus rebaixado, permaneçam
com a boca aberta e geralmente mastigam
alimentos de consistências mais
moles por serem mais fáceis e rápidos
de engolir, uma vez que não conseguem
permanecer com a boca fechada por muito
tempo. Como conseqüência de
uma mastigação insuficiente,
podem ocorrer desde distúrbios
gastrointestinais até uma possível
deficiência nutricional.
Geralmente
estas pessoas roncam e babam a noite,
além de apresentarem cansaço
com facilidade. A seguir serão
apresentadas algumas das características
mais comuns apresentadas por um respirador
bucal:
*Lábios
entreabertos e ressecados
*Lábios, língua e bochechas
hipotônicos
*Edemas ao redor dos olhos
*Mordida aberta anterior
*Ombros anteriorizados
*Língua abaixada e protuída
*Pálpebras inclinadas para baixo
*Freqüente mordida cruzada
Podem
acontecer ainda, algumas alterações
na fala destes indivíduos, como
imprecisões articulatórias,
devido à presença de alterações
morfofisiológica, nestes casos,
o fonoaudiólogo deve saber identificá-las
e reconhecer a melhor conduta a ser tomada.
Como
vemos, não é necessário
somente que o fonoaudiólogo conheça
e identifique os aspectos que podem interferir
no bom funcionamento das funções
de respiração x deglutição,
mas é imprescindível que
o profissional use destes conhecimentos
para realizar um trabalho multidisciplinar,
participando conjuntamente com o otorrinolaringologista
e ortodontista, desde o processo de diagnóstico
e plano de tratamento para que em equipe
o trabalho se torne mais efetivo, eliminando
ou minimizando o problema.
Desta
forma é imprescindível que
o fonoaudiólogo, otorrinolaringologista
e ortodontista formem uma equipe de trabalho,
sendo que ao fonoaudiólogo caberá
através de técnicas, realizar
exercícios miofuncionais, possibilitando
através destes um aumento da propriocepção
(reconhecimento cerebral da posição
das estruturas do corpo) do paciente,
além de um autoconhecimento e adequação
do tônus muscular, não se
esquecendo que o fator primordial para
o sucesso da terapia é estar sempre
caminhando na mesma direção
dos desejos de nossos pacientes.
Ana
Paula P. Carvalho
Fonoaudióloga Clínica- Inter
Otos
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