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SURDEZ EM CRIANÇAS E INTERVENÇÃO PRECOCE


O momento do diagnóstico da surdez de uma criança é comumente muito difícil para os pais, pois diferentes sentimentos e dúvidas surgem quando estão com este diagnóstico nas mãos, podendo, muitas vezes, abalar a estrutura familiar.
No momento em que a surdez neurosensorial é confirmada, muitos sentimentos começam a aparecer e os vínculos familiares passam a estremecer. Uma nova organização familiar faz-se necessária, tanto nas questões práticas, como tempo para o tratamento e custo, quanto nas questões emocionais como culpa, medo e frustrações que vão surgindo.

A maioria dos pais costuma fazer muitos ajustes após um diagnóstico seja ele qual for e, muito dos primeiros anos são dedicados a aprender a lidar com a nova situação. Os pais que nunca tiveram acesso ao problema da surdez ficam preocupados e aflitos apenas com o "ouvir" da criança, deixando muitas vezes de olhar para as possibilidades e potencial desta. O que pode vir a comprometer e impedir a construção de uma linguagem, prejudicando assim, seu desenvolvimento cognitivo e emocional.

O trabalho de Intervenção Precoce se faz necessário desde o início do diagnóstico, uma vez que ele busca integrar através de um trabalho multidisciplinar as intervenções médicas e fonoaudiológicas com as possíveis intervenções do ponto de vista emocional, pois geralmente esses pais são lançados em um mundo novo e desconhecido, com novas e complicadas questões a serem enfrentadas. Sabemos que estas situações podem afetar a relação mãe-bebê, fundamental no desenvolvimento geral da criança e na saúde emocional da família. Desta maneira o objetivo deste trabalho tem um caráter profilático, pois atua com a criança e seus pais desde os primeiros tempos do desenvolvimento global e do diagnóstico.


OBJETIVO DA INTERVENÇÃO PRECOCE

O objetivo primordial do trabalho de Intervenção Precoce consiste no acompanhamento da criança e de seus pais, seguindo regularmente o desenvolvimento psico-afetivo-social deste bebê e sua família, acreditando que este oferecerá suporte para um melhor desenvolvimento do bebê/criança. Busca-se com isto abrir um novo campo de comunicação entre os pais e seu filho, campo este interrompido pelas dificuldades impostas pelo próprio diagnóstico. Os pais através deste trabalho irão descobrir que sabem mais do que supunham sobre seu filho.
Quando uma criança nasce com algum problema os pais procuram profissionais para ajudá-los e em muitos casos se inicia um trabalho mecânico com o bebê, como se estivessem lidando apenas com um objeto que tem de ser concertado. Algumas crianças conseguem realizar as atividades propostas pelos profissionais, porém, na maioria das vezes nos deparamos com crianças extremamente apáticas e passivas, que costumam se angustiar fortemente quando se encontram frente a outras pessoas que não a mãe.
A Dra. Lydia Coriat, uma das pioneiras no trabalho de estimulação precoce na América Latina, refere-se a estas crianças como "crianças robô". Descreve-as como crianças que fisicamente conseguem se desenvolver, mas apresentam uma apatia imensa, pois têm dificuldade em se relacionar com os outros. Não se percebe nestas crianças um desejo ou uma palavra próprios. Deparamo-nos, assim, com uma criança cuja condição de Ser fica no de "objeto marionete", onde são os outros que determinam e fazem por ele. Neste sentido, nosso trabalho pretende atuar no desejo da criança e dos pais por esta, porque de outra maneira ficará na condição de "objeto marionete" a vida toda. No trabalho de Intervenção Precoce devemos atentar para que pais e filhos ocupem lugares de sujeitos e não robôs, sendo esta a questão que fundamenta todo o nosso trabalho.


COMO TRABALHAMOS


A equipe multidisciplinar principal é composta por:

· Terapeuta da Intervenção Precoce
· Psicanalista
· Fonoaudiólogo
· Psicopedagogo

A equipe de suporte é composta por:

· Pediatra/neurologista/otorrinolaringologista
· Geneticista
· Fisiatra
· Terapeuta Ocupacional/fisioterapeuta


O tratamento é conduzido pelo Terapeuta da Intervenção Precoce (podendo ser este um psicólogo ou um fonoaudiólogo), cujo objetivo é trabalhar a imagem e dificuldades que os pais têm em relação ao seu bebê, abrindo um novo espaço de reconhecimento e comunicação entre eles. Este especialista tem a função de ser a ponte específica para que, no ponto onde o bebê nasceu diferente não sejam invadidos e ofuscados os demais aspectos da sua vida. O atendimento é realizado com os pais e o bebê.

O Psicanalista trabalha ouvindo os pais e a equipe, de modo a poder lidar com as novas possibilidades e dificuldades que vão surgindo durante o trabalho. O objetivo primordial é manter a equipe integrada e atenta na compreensão da criança como um todo.

O papel do Fonoaudiólogo neste trabalho vai além da colocação da prótese auditiva. Sabemos que esta prótese deve ser testada ainda quando o bebê/criança é bem pequeno, porém, é importante que a família esteja preparada para receber este bebê/criança com a prótese, pois se esta fase não for respeitada a efetividade da estimulação auditiva poderá trazer frustrações à família, uma vez que as expectativas muitas vezes não correspondem com a realidade. Trabalhar com a criança surda é antes de tudo investir nas potencialidades de comunicação desta. Lidar com a condição da surdez da criança é o ponto de partida deste trabalho, uma vez que, respeitar esta condição abre um caminho importante para a formação da identidade da mesma.

As dúvidas que surgem comumente entre os pais de crianças surdas são sobre as dificuldades que suas crianças enfrentarão no desenvolvimento escolar e as possibilidades de um desenvolvimento normal em relação ao aprendizado global. O Psicopedagogo trabalhará, num primeiro momento, junto aos pais a fim de mostrar o que é esperado do desenvolvimento cognitivo e motor de seus filhos. Num segundo momento, irá atender a criança no sentido de estimular suas potencialidades, que não estão diretamente ligadas à surdez e que em geral são esquecidas nos tratamentos convencionais. Este trabalho deverá estimular a atenção, a memória, o raciocínio lógico e de linguagem (usando como instrumentos lingüísticos os temas trabalhados pelo fonoaudiólogo) e também o motor.

O Pediatra, o Neurologista e o Otorrinolaringologista trabalham com os limites que o corpo impõe, abrindo caminho para novas possibilidades, sempre ligado ao orgânico.


Como já foi dito anteriormente o trabalho de Intervenção Precoce se fundamenta no trabalho em equipe, a interdisciplina (psicologia, psicopedagogia, fonoaudiologia, otorrinolaringologia, neurologia, pediatria, terapia ocupacional, fisioterapia) onde as diferentes áreas de atuação se complementam de forma a dar um suporte à família, visando um trabalho de integração junto aos pais e o seu bebê/criança. É importante salientar que o paciente é o bebê/criança, mas é sobre os pais, ou através destes, que temos alguma possibilidade de intervir.

A Clínica da Família e Intervenção Precoce, fundada por Mônica Ferreira Valente e Verônica Mendes de Melo, iniciou suas atividades em 1995 e se fundamenta da prática clínica e dos referencias teóricos da psicanálise.


EQUIPE:

Cilmara Cristina Alves da Costa Levy - Fonoaudióloga, especialista em audiologia, mestra em Psicologia Social, coordenadora clínica da Casa Amarela (Associação de Apoio Educacional a Criança Surda) e supervisora do curso de especialização em audiologia - área de concentração em audiologia educacional. Estagio no Debbie Instituty -Universidade de Miami.

Mônica Ferreira Valente - Psicanalista, com especialização em psicanálise infantil pelo Instituto Sedes Sapientiae. Psicóloga familiar e grupal do PROMUD - Programa de Atenção à Mulher Dependente Química do Hospital das Clínicas. Membro associado Nesme (Núcleo de estudos em saúde mental e psicanálise dos vínculos) com participação efetiva na área de família.

Rebeca Lescher N. de Oliveira - Psicopedagoga clínica pelo Instituto Sedes Sapientiae, pedagoga especializada nos distúrbios da áudio comunicação pela Puc-SP, membro da comissão editorial da Revista Construção Psicopedagógica, orientadora de estudos da Colméia.

Verônica Mendes de Melo - Psicanalista, membro do Depto. de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Especialização em coordenação de grupo operativo. Membro da comissão de revisão da Revista Percurso.


Mônica L. F. Valente


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